segunda-feira, 31 de maio de 2010

Como seria?


Partiste um dia amortalhada no silencio. Não me deixaste no vento a tua ultima palavra,o teu perfume o teu adeus, porque estava longe e por mais que tentasse não te consegui agarrar.
Partiste num apagar de luz e os teus olhos perderam aquele brilho de vida com que sempre me abraçaste, mas mesmo isto me foi recusado e essa mágoa ficou cá dentro sempre me moendo e espetando quando menos espero, mas o que me dói mesmo, foi não ter havido despedida.
Vejo-te sempre com um rosto de vinte anos, com um sorriso divinal, com o olhar cheio de amor, com o ultimo abraço e com as tuas palavras ditas no nosso ultimo dia "Volta depressa porque te amo".
O avião que me levou subiu aos ares e por entre nuvens de sonhos me embalou....
O acordar dias depois foi tormenta que se abateu sobre mim. O teu peito já não arfava, o teu coração já não batia, os teus lábios já não tinham cor, a tua voz já não me atingia, tudo porque tu, morte malvada, me a arrancaste da vida quando eu não estava para a proteger para a agarrar para me levares junto. Mas não contente com isso me deixaste aqui mergulhado na saudade.
A vida corre agora nas veias da minha carcaça, a felicidade sorriu-me um dia e deu-me frutos que amo e amarei, mas não me responde à minha pergunta "se não a tivesses levado morte, como seria?

Jorge d'alte 1.06.10