quinta-feira, 27 de junho de 2013







Sei lá quantas vezes matei o desejo e parti de coração perdido e alma a sangrar....
Tantas vezes olhei esse mar de ti tentando perder-me em vagas doces de meio luar, rugindo depois alteroso atirando ao meu peito de areia branca, vagas de espuma numa louca orgia e deixando-me na ideia esses lábios rubros que invejo.....


jorge d'alte

domingo, 23 de junho de 2013

S: JOÃO NO PORTO








 Era noite de balões coloridos navegando nos ares prenhes de nuvens e ventania…..
Ainda o cheiro da sardinha assadas se misturava com o das bifanas e costeletas de boi que chiavam no lume rubro protestando em vão, quando a criançada se revolucionou em redor num frenesim cheio de gritos empurrões e gargalhadas…..
O avô tinha ordenado na mesa da cozinha as várias peças de fogo-de-artifício que seriam usadas nessa noite….
Primeiro vieram os fósforos coloridos fazendo arregalar os olhos miúdos de cada um….Depois as estrelinha, mais tarde estouravam os pirilampos e as bombinhas que se fraccionavam em outras mais curtas ao estourare… .Andava tudo aos pulos tentando fugir desta ameaça, enquanto se ouviam as vozes arreliadas das madames tentando impor cuidado e ordem na barulheira……
Sentado, eu revivia tudo isto com saudade e um sorriso dormente, um déjà vu que fora meu alguns anos bem atrás……
“ ……Os meus olhos olhavam amedrontados a balona que iria desfechar na minha mão tiros coloridos de garridas cores e sons assustadores….E assim sucedeu uma, duas, três vezes…. Como bem me lembro desses dias passados e os cheiros dessas memórias, hoje perdidas pela modernidade….. “
Agora o avô colocava no solo o Vulcão, “ que lindo!” Exclamavam mais os olhos maravilhados  do que as vozes mudas, depois eram os canudos de vários tamanhos que enchiam os céus de miríades coloridas de fogo que descendo e estourando se desfazia no ar como que por magia, por entre a fumarada e o cheiro da pólvora ardida. Agora pregava no cabo da vassoura a girandola……como era gigantesca e bonita de se ver no seu rodopio, largando fogachos de cores em várias direções…
A pequenada estava ao rubro enquanto as mães conversavam soltando de vez enquando gritinhos assustados quando um estouro mais forte as arrancava das falas e coscuvilhices….
O balão azul e branco das cores do nosso Porto subia lentamente preguiçoso até ser açoitado por uma rajada de vento mais forte que o abanou acordando-o agora numa subida mais rápida…..os gritos ressoavam na noite “ sobe, sobe, Sooobeeee! “. Subindo agora vertiginosamente o balão não tardou a juntar-se nos céus aos seus congéneres que cortavam a escuridão e as nuvens com a sua luz de tocha ardente…..

Os passos levaram-nos mais tarde para a garraiadice e no meio de milhares, os alhos batiam com doçura nas cabeças peludas ou carecas,enquanto no ar dançavam refrões das músicas populares mais em voga…..a cidreira esfregou o meu nariz enquanto o meu alho malhava danado na cabeleira loira de uns olhos anónimos que com garridice me olhavam….e os sorrisos aconteceram como filme repetido vezes sem conta numa noite onde não há ricos nem pobres onde todos são iguais desde que sejam foliões e bem dispostos....







S. JOÃO  NA CIDADE DO PORTO  (fotos tiradas da internet)


Jorge d'alte

quinta-feira, 20 de junho de 2013

À HORA CERTA






À hora certa
quando a saudade aperta
fico ali
sonhando acordado
teu rosto, "LI"
teu sorriso amado.



Meus olhos voam
como gaivotas sem destino,
pairando no ar, rodopiando; revogam
toda a tristeza sem tino
toda a amargura
de um partir sem adeus
toda a largura
da amizade que me deu.
E agora
a esta hora
quando a saudade aperta
estou aqui e fico alerta!
Será que ouço os passos do teu escrever?
Será que te vou voltar a ouvir e a ver?

Mas à hora certa
quando a dor me aperta
estou aqui sonhando acordado
teu rosto,  "LI"
teu sorriso esfumado.....
A nossa amizade
até à eternidade!                                                        

Que sejas feliz!



Jorge d'alte

domingo, 16 de junho de 2013













Olhos meigos que o mel adoça
Corpo elegante, sorriso risonho
é assim que te vemos ó linda moça
mas sempre e sempre perseguindo o sonho.

É ser modelo o sonho dela
é vê-la sonhando com a passarela.
Passo decidido movendo-se com elegância
lá vai ela vogando, deixando no ar a sua fragrância,
que nos envolve, nos cativa, nos prende na sua magia.
Lá vai ela de cabelos ao vento
levando nos sonhos um só pensamento;
Ser modelo um dia............

jorge d'alte

domingo, 9 de junho de 2013






Era num frondoso salgueiro junto ao ribeiro que nós nos refugiávamos, ela de boneca de trapos nos braços, eu com um soldadinho de chumbo na mão....


O ribeiro cantava sempre uma canção desigual, mas nós lá encima nos galhos tenros como pássaros escutávamos maravilhados essa louca orgia e dávamos a mão....

As folhas outrora tenras e pequenas eram agora grandes e fortes. A seiva da vida corria corria nelas folgosa.....
Antes era o sangue que nos corria pelas veias alimentando o coração....
Agora eram sentimentos que nelas corriam encharcando-o num novo mistério, cheio de esperanças, duvidas, incompreensões, luxuria, paixão, amor... e os rostos sorriram lá no alto como as flores que entretanto cresceram e se abriam, e o beijo encheu os rostos colados trazendo sentimentos novos que se abriam em leques de arco íris a cada momento desfrutado....
A canção do ribeiro era nova, como novos eram os melros que pululavam na verdura entre chilrreios e bicadelas, entre esvoaçares provocantes e eróticos.


As folhas avermelharam nos ramos ressequidos e estaladiços.
O ribeiro corre lesto mas já não escuto a sua canção.....
Parte de mim  como braço decepedo desapareceu, num dia chuvoso em primaveras passadas onde as flores murcharam para sempre, levando de mim aquele rosto que amava e o sorriso que já não sorri....
O meu olhar lá do alto esboça um sorriso na tristeza, e o rosto crivado de mil e uma ravinas espera serenamente pelo ultimo sopro de vento, que arrancará a ultima folha espalhando-a nesse céu de Deus, nessa estrela que és tu.....
As pálpebras caiem do cimo desse frondoso e outrora risonho salgueiro.....o sonho encheu o meu peito como balão colorido de imensos sentires, trazendo-te até mim. num ultimo sopro e colhendo o meu ultimo sorrir....

Já não ouço a canção do ribeiro, já não escuto o murmurar das folhas do salgueiro, já não vejo melros pululando nessa verdura refrescante, apenas te sinto nesta eternidade que de novo nos juntou.....

Corremos agora nos campos da  imensidão de mãos dadas, colhendo estrelas como borboletas, e de novo sorrimos num só sorrir....


Jorge d'alte

quarta-feira, 5 de junho de 2013

TU olhando o horizonte, onde a realiddae e os sonhos se misturam










Na praia sentindo a fina areia
comichando sob os meus pés
olho esperançada para este horizonte sem fim,
tentando escutar o meu canto de sereia.

As ondas deste mar, resvalando no seu vai vem.
levam e trazem noticias desse alguém.
Ali fico muda, vendo o passar das marés,
escutando a voz surda murmurando cá dentro
como bichinho sedento
sentindo o sol poente os meus lábios beijar.
A bruma quente das saudades erguendo-se enovelada no ar
e na brisa que sopra revolta correndo para mim
escuto teus passos amizade
e a magia da fantasia deste sonhar
e de novo na realidade
lanço em volta um ultimo olhar;
Bebo sôfrega este momento
e como num renascimento
lanço este grito no ar
-É tempo da amizade, mas também de ammar!