sexta-feira, 14 de agosto de 2026

PORQUE CHOREI

 



Porque chorei neste dia?
Não sei se foi por amor
se foi por esta dor
se foi porque me comia.

Eram meras sensações?
pareciam colmeias de desejos
breves comichares de pejos
lágrimas, grinaldas de perdições.

Chorei fenecendo de tristezas?
amarguras já eu tinha tido
tudo começou quando me senti perdido
só como pena voando num vento de incertezas.


Jorge d'Alte

segunda-feira, 10 de agosto de 2026

PAIXÃO DE FOGO

 



Na manhã cedo, geada
meus olhos cansados
recordam a noite
beijou meus lábios e salvou-me
meu corpo tremia meus joelhos eram fracos
e para permanecer no seu abraço
tracei a paixão, caindo a seus pés emocionado.
Levantaste-me, contaste coisas que nunca conheci
que a amor era assim como assim era o nosso fogo.
Ateei-o no meu sangue e ardeste brasa sem fumo
íntimo entrosado nos novelos desfiados em memórias
e aceitei cair tocando-te no rosto e abri-me
ardi quando me perdi em ti cerrando os olhos.


Jorge d'Alte

quarta-feira, 5 de agosto de 2026

O FIM DO PRINCIPIO

                                                  


O mundo enlouquecera na explosão
Sentado numa cadeira junto ao mar, 
o homem tranquilo e conformado, espera.


Jorge d'Alte

terça-feira, 4 de agosto de 2026

HOJE

 



Hoje vi-te tal como és!
um ser ínfimo que se julga um deus
O teu ódio iluminou-te de lés a lés
matando esse amor nos olhos teus

Tua boca proferiu como terramoto
palavras doentias que crestaram
essa alma que não sente e só no remoto
arde tão pequena que a tragaram

E agora só, grita espumando
que não dissera o que disseram
que era um coração que mesmo odiando
amava-me tanto, tanto e no final eram
palavras e palavras apenas, sem sentido
que tinham magoado aguilhoado e ferido
este meu coração que em amor se entregara
Palavras duras que meu peito rasgara
Lançando-me num abismo tão profundo
Onde o negro breu sorve o meu mundo


Jorge d’Alte

terça-feira, 28 de julho de 2026

A VENDA

 



Alguém quis vender o seu mundo
saber quanto valia a sua alma
abduziu o seu peito arrebatado
olhou o alto dos deuses e ofereceu.

Houve anjos indignados do alto até ao fundo
os deuses não ligaram mantendo-se na sua calma
e com ar desfeito, apatetado
alguém ficou estático e esmoreceu.

Havia um murmúrio que rapinava os seus sentidos
colheu-o quando pasmado olhava esses lábios de tantas sedes
havia calor neles, havia sedução, carinhos de afagos nos olhos erguidos
o mundo esboroou-se mas a sua alma ardia no tanto que pedes.


Jorge d'Alte

 



O sol ardia no inferno do dia sobre os costados daqueles que na terra trabalhavam colhendo frutas e legumes.
Maria cantava na meia surdina, por perto rouxinóis pareciam acompanhá-la, mas lá dentro qual estrela, ardia essa nostalgia de alguém que atravessara mares, montanhas,  vicissitudes, um mundo novo para sobreviver.
Dela dependia o bem estar dos seus filhos deixados em braços de bem enquanto ela labutava por uma míngua que dividia.
Na  noite o sonho tomava-a e aí ela brincava na apanha com seus filhos, beijava-os
nas meias sombras, pois não havia luares de amor para cantar, bocas para beijar, braços que a trouxessem de novo á sua terra á sua aldeia algures perdida num emaranhado de quereres, sentires e amores.


Jorge d'Alte

segunda-feira, 27 de julho de 2026

MEU PORTO

 

Pardacenta e granítica meu Porto
terra de rio, colinas, horizonte e mar
terra de vinho do porto de lindos por de sol
de tripas barcos rabelos chuvas e vento norte.
Cidade Nobre Invicta e Leal que nasceu no torto
de luzes de vielas escadarias e gavetos a contornar
caindo desde a Sé em ladeiras como verde lençol
amando a ribeira e suas pontes de recorte.

Suas avenidas se entremeiam como francesinhas
de monumentos, igrejas e praias
a cor das casas os elétricos a voz deste povo.

O seu castelo de canhões e guaritas fresquinhas
avisam os barcos na pesca com luzes de atalaias
e o rio corre sereno dourado neste Porto velho e novo.


Jorge d'Alte