quinta-feira, 10 de novembro de 2011

DEVASSA


Rasguei a lua, esventrei-lhe o ventre.
Procurava o pus que infecta, aquele negro que se esconde na outra face, iludindo-nos com a outra com o seu charmoso luar.
E o amor é como ela, moça de duas faces, uma que nos sorri e nos beija, enquanto que com a outra nos trai e nos espeta na alma, as mais amargas palavras.
O ódio agarra-se à alma, tentando destruir o sentimento belo e harmonioso do amor e as almas rolam como cascalho lixado na merda da calçada, mas ali também de repente sentimos a mão da amizade e essa é forte quando verdadeira e sincera. O nosso olhar reluz então na esperança e o passo caminha com duas sombras lado a lado. Não vemos o seu rosto mas sentimos o seu sorriso e o elo aperta-se a cada futuro alcançado.


jorge d'alte