sábado, 22 de março de 2014









Quando os anjos desceram embrulhados na sua alva áurea eu vi-te brilhando no meio das estrelas.
Era o nosso céu com a lua branca e negra, com as suas fases diferentes como o humor e o amor que nos uniu.
Rodearam-me com seus cânticos, tentando encantarem-me numa outra melodia.
Mas meus olhos só te escutavam, como meus ouvidos te viam nas palavras que me murmuravas ao ouvido.
Encheste-me a alma de saudade, daquela saudade que me rói mesmo quando te sorrio.
Tu fostes a luz que me deu um outro universo, que me trilhou um caminho nesses anos jovens de loucura amena e macia.Tu fostes a palavra doce, como o abraço forte e seguro que me livrou de abismos. Tu fostes vida em mim quando voamos para lá do tudo em asas de amor suado e dorido mas ao mesmo tempo farto de prazer e desejo.
Mas um dia partistes .....
Como roguei pragas ao nosso céu....
Disseram-me que fora Deus que te chamara, que pronunciara teu nome como sentença sem querer saber que me matara também nestes anos que não vivo....
Como amaldiçoei esse poder Divino.....
Vivi no inferno mesmo vivo, assando em cada dia que passei sem ti, tostando minha alma nas faúlhas da esperança de que Ele me juntasse a ti.
Não parti, nem fiquei, não morri como não vivi. Sou como cometa errante num céu oco de ti, traçando na vida meus passos que sei me levarão até ti.....brilho quando sorrio nas lembranças passadas, quando junto ao rio me abraçavas e teu rosto lindo e jovem me beijava.
Agora fecho meus olhos .... o sono trás sempre o sonho e nele te revejo e te guardo,te beijo e te amo, enquanto as rugas crescem e as forças se vão amainando até ao dia a esperado em que num ultimo suspiro te abraçarei de novo num desejo desenfreado.


Jorge d' Alte