quinta-feira, 27 de agosto de 2026

ESPEREI-TE

 


 

Esperei-te ao por do sol
Havia um horizonte onde estavas
Havia tempo que não corria
Sei que me amavas
Uma canção em si bemol
Desfez-se na sombra que escorria.


Jorge d'Alte

O AMOR É

                                              



O feitiço da lua cheia
ciúmes e nostalgias
pompa de lágrimas
alegria de beijos.
Sentimento é ceia
é busca nevralgias
dor é amor que plagias
é aquele fogo que rimas
o íntimo regozijos.


Jorge d'Alte

AMA-ME AGORA NO INVERNO

 







Ama-me agora no inverno
A neve caí gélida e poeta
rima com lareira e abraços
com árvores vergadas como orgasmo
com correntes de sangue ardendo
um grito apertado entre dentes
o sufoco de uma boca perdida e beijada
o desfalecer numa cama suada
olhos encaixados no olhar
um sorriso que se sente depois de amar.
Ama-me agora no inverno
amar é tudo o que invento 
o vento a soprar lá fora
a lua que vai com as nuvens
passos teus que me dançam
nesta bela canção a dois.


Jorge d'Alte

sexta-feira, 14 de agosto de 2026

PORQUE CHOREI

 



Porque chorei neste dia?
Não sei se foi por amor
se foi por esta dor
se foi porque me comia.

Eram meras sensações?
pareciam colmeias de desejos
breves comichares de pejos
lágrimas, grinaldas de perdições.

Chorei fenecendo de tristezas?
amarguras já eu tinha tido
tudo começou quando me senti perdido
só como pena voando num vento de incertezas.


Jorge d'Alte

segunda-feira, 10 de agosto de 2026

PAIXÃO DE FOGO

 



Na manhã cedo, geada
meus olhos cansados
recordam a noite
beijou meus lábios e salvou-me
meu corpo tremia meus joelhos eram fracos
e para permanecer no seu abraço
tracei a paixão, caindo a seus pés emocionado.
Levantaste-me, contaste coisas que nunca conheci
que a amor era assim como assim era o nosso fogo.
Ateei-o no meu sangue e ardeste brasa sem fumo
íntimo entrosado nos novelos desfiados em memórias
e aceitei cair tocando-te no rosto e abri-me
ardi quando me perdi em ti cerrando os olhos.


Jorge d'Alte

quarta-feira, 5 de agosto de 2026

O FIM DO PRINCIPIO

                                                  


O mundo enlouquecera na explosão
Sentado numa cadeira junto ao mar, 
o homem tranquilo e conformado, espera.


Jorge d'Alte

terça-feira, 4 de agosto de 2026

HOJE

 



Hoje vi-te tal como és!
um ser ínfimo que se julga um deus
O teu ódio iluminou-te de lés a lés
matando esse amor nos olhos teus

Tua boca proferiu como terramoto
palavras doentias que crestaram
essa alma que não sente e só no remoto
arde tão pequena que a tragaram

E agora só, grita espumando
que não dissera o que disseram
que era um coração que mesmo odiando
amava-me tanto, tanto e no final eram
palavras e palavras apenas, sem sentido
que tinham magoado aguilhoado e ferido
este meu coração que em amor se entregara
Palavras duras que meu peito rasgara
Lançando-me num abismo tão profundo
Onde o negro breu sorve o meu mundo


Jorge d’Alte