sexta-feira, 21 de janeiro de 2011

ATÉ ONDE ESTOU




Os tempos retrocederam na recordação e revejo-me caminhando a íngreme estrada que me há-de levar ao sitio onde estou.
Quando os sons fizeram sentido, a palavra saiu ilesa do meu peito, Mãe! mais tarde surgiu o Pai numa súplica e os passos levaram-e até ele, com a gargalhadinha solta num momento de extrema alegria. Agora vejo-me triste mas ao mesmo tempo expectante, caminhando com uma sacola cheia de livros, lápis e cadernos, mas vazia de sabedoria. Os ingredientes estavam mesmo ali á mão de semear, agora era necessária atenção e compreensão para passar ao degrau seguinte. Aqui encontrei o primeiro companheiro de toda uma vida, aqui encontrei um ser novo para conquistar" chamavam-lhe rapariga" e o porquê dessa diferença, levou-me um pouco mais longe e a curiosidade que fora motor trouxe-me pela primeira vez uma coisa diferente que não saía da mente, me atrofiava a fala, me fazia tremer e provocava aquele mal estar na barriga e então aprendi o verbo amar, então aprendi qual o sentido da minha vida, abraçando ao mesmo tempo a amizade e o amor de uma rapariga. Mas este amor não veio para ficar e essa doçura ficou na calçada no pingar de lágrimas sofridas e pela primeira vez me senti perdido porque esta dor que encontrei cá dentro moía-me como água em pedra dura e a primeira ferida fora sulcada e escorria como rio para a saudade que me trazia a tristeza ao olhar. Mas tudo tem outra face, e a dor foi diluída pela força da amizade e então um novo degrau me levou a outro olhar, este foi o amor de uma vida. Deu-me a estabilidade emocional, deu-me a luz em cada dia no sorriso que me desejava bom dia, no beijo que trás o desejo na emoção dos sentidos no poder de sonhar toda aquela vida pela frente. Mas também aqui fui traído não pelo amor amado mas pela traiçoeira morte que levou prematuramente aquele sorriso aquele ardente calor a força do meu sonhar e me deixou a tristeza, o gelo que me cobriu tirando à minha alma aquele fogo e deixou como sonho um imenso vazio. Então percorri caminhos cruzados, como tonto perdido e por mais voltas que desse voltava sempre ao inicio até que um dia o meu coração massacrado viu um novo rosto dourado e acreditou, me fez voar na vida nas asas deste meu novo sonhar e agora voo como gaivota rumo ao meu horizonte preso no bater das minhas asas que me levarão até onde eu estou.

jorge d'alte