quinta-feira, 6 de janeiro de 2011

Homenagem



O sol ardia o ar que respirava tornando o bater do meu coração numa penosa ansiedade. As nuvens negras de dor teimavam em o obscurecer e perdido nessa imensa ferida lacerante e aberta sacudi a minha cabeça tentando afastar o enevitável e como recém -nascido buscava a teta que alimenta a alma procurando esse amor fenecido que era ternura que era sabedoria, era paz, para que mitigasse este esvair de perda que trespassa todos os poros do meu ser, levando toda a minha energia e vontade.
Os soluços saiem arrancados ao meu peito como musica triste e nos meus olhos perpassam cenas e cenas bem coloridas,de um filme a que puseram fim quando havia ainda muito a dizer, muito a receber, muito a dar.
No entanto vejo sempre esse rosto sorridente para onde quer que vá, onde quer que esteja,onde quer que sonhe, esse rosto amado que apesar de todas as adversidades teimava em não chorar, mas sofrendo no canto do seu silêncio, apenas para não nos incomodar. A alegria com que enfrentava a sua vida, esses dia a dia longos mas preenchidos em literatura ou tv, esperando sempre por uma visita dos filhos, netos ou outros familiares.
Nessa manhã fatídica, apesar do seu mal estar, ainda teve a coragem quando lhe peguei na sua mão amornada, de me sorrir já esvaecida sem pinta de sangue e de me dizer "Já vieste!"
Agora que escrevi a minha revolta, o meu sofrimento foi vencido, vejo esse sol de sorriso e perpétuo-o cá dentro da minha alma.

Jorge d'alte (Mãe, fazias 91 anos na passagem do ano!)
Fotos com 21 anos e 90 anos