quarta-feira, 9 de fevereiro de 2011

...BELA

...Bela! bela! repetia o meu coração dando aquele pulo para lá de tudo...
As minhas pernas movimentaram-se, não ao ritmo da música que bulia e estoirava nos meus ouvidos, mas em passos decididos que encurtaram a distância.
Algo fazia aterrar no meu olhar uma mensagem interrogativa, quando esse ser deu por mim ali parado olhando sem nada dizer. A contemplação tornara-se desconfortável para ela, mas depressa se recompôs num sorriso...e que sorriso! Nesse momento alguém falou e a sua atenção foi desviada e o mesmo sorriso bailava nos seu rosto e os lábios mexiam-se em palavras que não escutava e a boca soltou a gargalhada enquanto seu corpo se agitava ao ritmo da dança. A sensualidade despertou em mim uma vontade inabalável de a conhecer.As minhas costas apoiadas no balcão do bar davam-me a visão exacta da voluptuosidade do seu corpo, dos gestos sensuais e da sua estudada técnica de cativar, fazendo o seu par delirar em obscenos pensares ritualizados pelo carisma dos seus movimentos.
Nessa altura outros se lhe juntaram e as cenas repetiram-se sempre na mesma no mesmo sentido.
Bela! repetia cá dentro...
Por isso o meu corpo rodopiava e tocava no dela e os nossos sorrisos evoluíam na musica maluca que nos aturdia. A musica passou a uma quente e bela melodia onde as odes ao amor estavam perenes e os nossos rostos se colaram num afagar de peles e cabelos e os corpos tremeram pela primeira vez e a paixão do momento fez os seus estragos quando subitamente os nossos lábios se encontraram húmidos e frementes cheios de algo partilhado e o gemido soou nos meus ouvidos e palavras soaram arrastadas pela emoção, ou seria o desejo?
O momento aproximava-se do final e o end estava ali na música que se calara e nos nossos corpos unidos ainda sob o efeito dessa luxúria.
O abraço alargou-se como o seu sorriso e esse foi o momento do nosso adeus pois de novo ela sorria aquele sorriso, um novo corpo abraçou, com os movimentos retomados sensualizou... Ela era a menina da moda e todos giravam por ela pobre alma desafinada, era bela...sim era bela e muito mais...mas dentro dela trazia o vazio daquela chama que deixa a futilidade na estrada mas enche as nossas almas de algo inolvidável que vale a pena ser vivido e amado.

jorge d'alte