sábado, 5 de fevereiro de 2011

...A

... a porta chiou no seu repentino. Fora aberta de par em par e o ar ferido pelo gelo trazido pelo vento trespassou-me a pele arrepiando-me a nuca. Dois vultos pequenos entraram, dentro da sua correria gritando e gargalhando a sua alegria fazendo sair das suas bocas cansadas e abertas rolos de vapor. Os pestinhas rebolavam-se agora no chão numa frenética luta pelo vencer e eu vi-me contagiado nessa loucura entre pernas cambalhotas e rebolanços...
As suas vozes soam agora mais fortes e mais calmas. Passaram-se alguns anos desde que a porta se abriu e a amizade se fez como malha feita em agulhas manobradas pela mágica mão do destino. Agora somos adolescentes e os nossos olhares morrem na beleza e os nossos corações pulam quando encontram o beijo quando os corpos se colam dentro da musica que toca e nos enlaça no encanto dessa dança, quando a lua espreita e lá do alto lança seu manto iluminando nossos corpos suados pelo calor do amor.
Agora somos divididos cada um seguiu o seu rumo divergente, mas a alma arde com a mesma chama de sempre e a amizade é apelada quer nos bons quer nos maus momentos.
Os livros trouxeram-nos a sabedoria que até ali não tinhamos, que tragamos em muitas noites de palpebras caidas de cansaço, mas no fim uma parte do nosso sonho estava ali,e os devaneios de adolescentes tinham passado a elos prenhes de algo tão forte que a palavra mais bela soava ainda nos nossos ouvidos "Amo-te e prometo que ficarei para sempre a teu lado"
Como gostaria de voltar a esses tempos de criança e adolescencia, para viver de novo esses momentos intensos mas sem responsabilidades, tempos em que o futuro se abria e podiamos sonhar num futuro certo, nos filhos que teriamos e que tivemos no emprego que nos daria a segurança para toda a vida.
Agora luto não pelos meus sonhos que já estão no fim, mas por uma nova ordem que traga aos nossos filhos e aos nossos netos um pouco daquilo que usufruimos um dia e que o grande valor da amizade continue pois ela é talvez o amor mais puro e duradouro.

jorge d'alte