terça-feira, 22 de fevereiro de 2011

...DESESPERO

...Desespero!
A minha alma rasga as carnes tentando saltar cá para fora, concorrendo com a força das lágrimas que já não correm, nem sulcam, mas gritam.
O arder lancinante e lacerante desfigura o meu rosto e as unhas cravam-se nas palmas das mãos e com o sangue derramado escrevo com sôfrega ansiedade o teu nome no chão, enquanto os joelhos se vergam aos poucos, sob o peso da dor.
No solo de joelhos, olho o céu sereno tentando vislumbrar nas abertas das nuvens que correm, o teu rosto mas em vão.
Por isso desespero revoltado contra ti Vida ingrata, que me tiraste do convívio aquela que mais amava, deixando-me ali exposto como tolo no deserto sem rumo nem nexo.
Estendo as minhas mãos como cego para fora do sonho, mas este não está ali, apenas a realidade me recebe e crua me atira à cara na sua voz surda que tudo tem um preço e o amor que sentíamos, que vivíamos que nos alegrava tinha chegado a esse fim prematuro pela birra quezilenta da dona Morte.
Agora a tua vida será outra disse-me ela com ar pungente. Apenas a recordação e o sonhar, te trará de volta aquela que comigo está, mas um dia te virei também buscar e nesse dia vos unirei de novo, mas desta vez para a eternidade.


jorge d'alte