quarta-feira, 9 de março de 2011

...Fizemos

...- Fizemos as pazes gritou Manuel para o Zé.
- Já não era sem tempo disse-lhe este contente...mas afinal porque se zangaram?
- Se queres que te diga já nem sei bem... eu estava no recreio da escola quando a Andreia veio ter comigo toda bamboleante cada vez mais perto, mais perto e passou-me a mão por detrás do pescoço puxando-me para me beijar...eu tentei resistir mas ela estava possessa e pronto aconteceu...Para mal dos meus pecados Emilia dobrava a esquina juntamente com Filipa e... foi aqui que tudo aconteceu...viu-me e passou-se e atirou-se com unhas e dentes à dengosa da Andreia...
- Dengosa? Disse Zé suspirando e continuando disse:
- ela é um espanto!
- Tem cuidado pois se Filipa te ouve nem as tripas se te aproveitam...disse Manuel monologando tristemente...arranharam-se uma à outra arrancaram cabelo e o pior foi o soco de Emília, que acertou mesmo no olho da Andreia...tudo acabou nesse momento mas então começou o meu calvário...Por mais que tentasse explicar-lhe que fora a Andreia quem se atirara a mim e que eu não tinha culpa ela não queria saber, não queria ouvir e socou o meu peito desvairada e perdida enquanto os seu soluços me alagavam os ombros...depois simplesmente virou-me as costas e tu sabes o resto.
- Pois sei! sei! a Filipa arrastou-me dali também furibunda, dizia o Zé ainda sentindo toda a fúria desta, que quase me arrancou o braço...depois tive que lhe contar vezes sem conta o que se passou e disse-lhe que tu não tinhas tido culpa...e ela dizia!
- ai não! então porque é que a boca dele estava na dela...
- percebes ela vêm sempre tudo ao contrário, eheheh!mas conta lá e depois como conseguiste safares-te e fazeres as pazes?
Depois de Emilia me ter virado as costas eu fui atrás dela chamando-a vezes sem conta, mas ela não me ligava pivea. Então parei e disse-lhe:
- sem diálogo, tolerância e compreensão, como queres que haja amor entre nós?
Ela estacou e virou-se para trás com olhos faiscantes,que logo morreram quando encontraram os meus.Eu estava perdido na desilusão e ela viu e compreendeu que ou me conquistava de novo ou me perdia de vez.
- Tens razão! disse-me ela, devemos resolver sempre os nossos problemas falando por isso vem daí! E sem mais começou a andar até à árvore grande onde se sentou expectante no murete que a rodeia.
- Fala disse-me ela! Que foi aquilo que se passou ali à pouco?
- Precisamente aquilo que viste! Apenas eu sou injustiçado pois não cometi qualquer crime. Ela veio de repente, tu sabes como ela é...e já há algum tempo que vem com sorrisinhos e poses sexys para mim. Aliás tu já comentaste isso, mas hoje ultrapassou todos os limites...Todos viram o que se passou e se não acreditas em mim temos que ficar por aqui...
- Tens razão Manuel! O pior é que eu sei que não tiveste culpa, mas os meus ciúmes cegaram-me e fizeram com que procedesse assim. Como estou tão arrependida meu Deus! Perdoas-me?
- Como não te posso perdoar? Tu és tudo para mim e perder-te seria ficar amputado de parte de mim...anda cá minha tontinha, o nosso amor vale mais que uma simples cena rasca...
Emília ardia de alegria e desejo, queria beijar Manuel e foi isso mesmo que fez, puxou-o devagarinho, olhou-o com candura, afagou a sua face tisnada, encostou a sua boca húmida e fremente e voou para lá do ciúme encontrando de novo aquela paz que une os corações que se amam...

jorge d'alte (excerto de um dos livros que estou a escrever)