quinta-feira, 7 de julho de 2011

...UFA!


...Ufa! Custou a chegar até aqui, subir tantos degraus e escorregar em tantos deles, mas olhando aquilo que sou, no que me tornei, acho que valeu a pena.
Mas vocês não me conhecem, não é?
Deixei muitas pistas naquilo que escrevi, nas ideias que deixei ficar, na mão que dei a algumas amigas, mas por outro lado recebi sangue de ideias novas destes tempos turbulentos, controversos e indecisos, que me ajudaram a compreender a nova juventude que tanto quer amar, que acaba a chuchar no dedo...mas isso são outras histórias... e lá vou eu resvalar na saudade e verter mais ondas de tristeza nesta noite sem lua.

Porque me chamaste na noite fria calando o brilho das estrelas e dando-me a tua luz? Eu sei que esperas por mim desde há muito nesse outro lá, onde tu existes e eu não consigo entrar. Por isso sonho para te ver, para te sentir, para te continuar a amar, independentemente de qualquer vida que o destino me dê. Inexoravelmente os ventos empurram-me para a meta, esse lugar onde conquistamos por fim a nossa paz e onde o amor é aquilo de que somos feitos. A dor trespassa por mim em cada canto onde me tento esconder; preferia que as tuas mãos se soltassem, tocassem no meu rosto e descessem até ás minhas apertando-as de novo e partíssemos agora juntos num novo caminho sem chão de pedra, sem lágrimas escorregadias, sem raivas e fúrias por te ter perdido.
Abri a janela para te ver nesse céu onde tu és a minha estrela, escutando ainda o eco do teu chamar, doce lamento como brisa deste mar que ondeia cá dentro. Pedi de novo as minhas asas para ir ter contigo, pois mesmo os sonhos já não me chegam, mas como as borboletas perdi-as e agora apenas me resta arrastar-me na escrita onde o meu grito se grava nas letras da desdita...


jorge d'alte