quinta-feira, 15 de setembro de 2011

TU ÉS SETEMBRO


Para mim é sempre Setembro !

A grande laranjeira cortava o calor com a sua frondosa sombra. A seus pés alheados de tudo os olhos mitigavam a sua fome no belo, traduzindo em expressões cheias de puro amor. Éramos ainda crianças e inocentes, mas a vida começava já a ferrar.
As promessas raiavam, como bocados de sol no meio das folhas agitadas pela brisa, e enchiam a nossa alma de um sabor diferente que nos tornava crescidos a cada passo dado. Eram os quinze anos e o despertar para algo mais sério e responsável. Traçávamos no curto espaço entre Tu e Eu os primeiros esboços de uma nova vida que queríamos partilhada em todos os sentidos.

Era outro Setembro, este mais frio e raivoso nas rajadas que trespassavam os nossos corpos.Mas o tempo não nos afectava pois a magia do amor fora algo inolvidável e deixara para sempre a sua marca o seu estigma e a união das almas.

Os Setembros passaram na vida como meses intermédios como preparação para a primavera que queríamos viver onde o nosso amor iria por fim ser renascer e florir preparando um verão onde as luas seriam fogo e o luar a nossa mortalha.

Mas o sonho morreu num Setembro abrupto onde o terror imperou no cutelo de uma morte inesperada que te levou e me remeteu ao inferno onde em redopios de dor e choque me perdi afundando-me nessa cor negra que me rasgava o coração. Mas sobrevivi fazendo-te viver de novo na minha alma, guardando para mim esse teu rosto sempre jovem que amo e as tuas palavras que muitas vezes me acordam na noite tirando-me um sorriso nesta máscara que me envolve pois por muito que me sinta feliz a dor está sempre lá, cantando a sua melodia algures debaixo da frondosa laranjeira arrancando à brisa a cor de um amor que nunca morreu.


jorge d'alte