terça-feira, 18 de outubro de 2011

E...


E ali estava eu descansado, sentado no banco alto, tendo como facho um copo cor de âmbar que me adormecia o olhar, anestesiado na rotina do ruído e do som berrante da musica...e foi um toque do tipo desafinado que ergueu o meu olhar e o levou até ao palco, onde corpos se contraiam em comprimidos agarrares cheios de paixão, ou em gestos frenéticos de falsa jovialidade, que faziam ondulados esquisitos e fastidiosos...
O tempo parara na doçura do sorriso, na ternura do olhar, na sombra de medo que pairava na ansiedade, chocado naquela beleza, sim era a palavra certa, beleza sem subterfúgios, simples e natural.Era um oásis no meio daquele infernal deserto do quotidiano fim de semana.
Quando dei por ela sorria parvo! O copo ficara perdido algures e o meu olhar brilhava com nova chama, com nova vida, alento que me levara até ali...Um encontrão fez-me vacilar como chama tremeluzindo, captando a atenção daquela traça que assustada e retirada do seu pouso, olhou em volta surpreendida, dando de caras com o meu sorriso.
Sorriu ou não sorriu? Fora apenas um esgar de surpresa e incompreensão que vira no seu olhar?
Não tive tempo para me decidir, pois a minha voz traidora dizia para ela" olá! Eu sou o Jorge " e...
As costas viraram-se para mim e o corpo franzino e bem delineado num gesto de pura sedução traiu-a, pois o seu rosto manteve-se virado para mim e como pirilampo na noite escura ora sorria, ora caia na cor da timidez, mas por fim perante o meu olhar interrogativo disse " Eu sou a Graça "

Eu sabia o seu nome, eu conhecia o seu perfume, eu ardia no seu fogo moendo sentimentos no colar dos nossos corpos, na tola dança que não ouvíamos...os dedos nas pontas das mãos dançavam entrelaçados e afagantes outra dança, com outra sedução, trazendo outra avidez que percorria a espinha de lés-a lés e morria no algures cá dentro, fervendo noutra calda de sentimentos velhos, sempre rejuvenescidos e novos, pois que quando se evocam com amor, são céu, terra, mar, universo continuo que nunca mais tem fim e assim a história seguiu seu rumo num outro local, numa outra dimensão, cheia de sensações, desejos receosos e ansiados, numa oferta total, numa dadiva sem fronteiras...


jorge d'alte