domingo, 15 de setembro de 2013











Era a lua na noite negra!


O meu amigo vampiro começara a transformação. Alguns longos segundos passados fora um lindo adolescente com nome, amigável e amoroso, verdadeiro e ternurento.
A sua pele outrora tão macia de bronze adocicado, era agora um monte de pelos negros e castanhos entremeados com peles encarquilhadas e descartáveis e a sua cara disforme tinha um olhar selvagem.
Sangueeeeeeeeeeee! Saaaaaaaangue! Era a palavra que dançava na sua mente retirando-lhe os últimos resquícios de humanidade e os seus braços que abraçavam antes corpos cheios de amor, eram agora asas batidas na imensidão da noite…Ele podia voar, voar,  voaarrrrr e voava….

Noutro lugar mais remoto um corpo estava repleto de espesso pelo. Seus braços eram agora patas ferozes com unhas assassinas e afiadas e os dentes esbranquiçados e pontiagudos concorriam pendentes com a espuma que caia em cachos pegajosos.






A lua não brilhava, protegida por nuvens voadoras que corriam apressadas fugindo de um perigo que não entendiam mas persentiam. Seus olhos pardos e radiantes dourados viam o que antes não conseguiam ver e andavam por ali predadores e sôfregos procurando o seu néctar para a vida e o seu nariz cheirava o ar procurando avido a carne humana onde havia veias enfunadas com ventos correntes de Sangue. E à sua mente acorreu a palavra que o motivava Saaaaaaaaaaaaaaaaaangue! Sangueeeeeeeee!

O vampiro voava em silêncio pelo meio das sombras vastas, bastas ou meias, como meia hora era o toque que o relógio batia no velho campanário que por ali existia. Teria pouco tempo para realizar o seu eterno calvário e mitigar o seu eterno vicio. Teria sem falta de beber o liquido morno e espesso de cor avermelhada normalmente doce mas muitas vezes acido da cor do terror infligido. Algures o sangue corria em doces veias como rios e apetecíveis corações ainda palpitantes.

O lobo que eu era, corria por montes e campos, por terras de areias grossas ou águas geladas. O cheiro que me chegava ao olfacto trazido pela brisa errante estava por ali perto e de novo farejei e….Incrivelmente junto colado como praga pegajosa, havia um novo cheiro que me incomodou….
É um vampiro! -  gritei rouco, para logo soltar um uivo agudo de aviso e provocação.

Uauuuuuuuuuuu!  Uauuuuuuuuuuuu!

Hummmm murmurei com a raiva toda mordendo a minha própria fúria.

O súbito chegara num ápice ali, num face a face receoso mas dilacerante de vontade feroz e avidez incontida por sangue.

Ajoelhada no chão de relva esmagada e húmida, uma pequena figura humana tremia indefesa possuída de intenso terror…..




(agora imaginem e terminem o resto da história que vos contei e tracem o final da mesma)

Jorge d’alte