sábado, 9 de novembro de 2013





E depois do adeus...que restou de nós?

A árvore que chora, esse imenso Salgueiro selvagem derrama seus verdes ramos enfolhados sobre os meus ombros, como o faziam os teus cabelos doirados quando me beijavas o pescoço....Mas o gemido que lanço não é de prazer como então, mas de angustia frustrada  na impotência....a sombra que cai sobre mim não é do teu corpo dourado de mil tons de cobre, é a dor embuçada que transpira dos meus olhos  humedecidos, é a saudade que sinto do que um dia senti,. é o vazio frio que mora do outro lado na cama......
Foi aqui que um dia demos azo ao nosso primeiro sonho, quando as minhas palavras beijaram o teu rosto fazendo-o iluminar-se, quando os meus lábios saciaram os teus  de sedes de luxuria e tu soubeste tal como eu que éramos afinal só um, divididos tal como o coração  mas batendo num pulsar único levando nosso mel a todos os poros dos nossos corpos.....
Aqui posso chorar a saudade que trago, o amor que perdura para lá do tudo, a gota que enche a alma e transborda no olhar.
Aqui posso  sentir-te no restolhar dos ramos, na folhas levadas, na brisa que teima em me acordar com murmúrios doces, tal como tu o fazias nas noites frias em que acordar era dor por te deixar, era perder o calor do corpo entrelaçado, era não sentir o palpitar quente
do teu seio...

 Depois do adeus, olho este céu azul infinito, belo e vazio, quando eu sei que nele se escondem estrelas e mundos. Por isso espero pela noite, pois nela estarás sempre presente, mesmo que não te veja.


Jorge d'Alte