sexta-feira, 15 de abril de 2011

...L

...Longe varrem os meus olhos sedentos, o espelho mágico troa na areia em pequenas ondas baloiçadas no vai-vem.Escorrego a ladeira que me comicha os pés com fina areia, inspiro esse aroma forte da maresia e a brisa que sopra passa rápida a ventania. As ondas iradas de profanos rugem agora alterosas intimidando.
O meu sorriso fica ali enquanto espeto na areia espumada a ponta da minha prancha. Num desafio visto novo corpo de borracha...sim não desisto...a razão puxa-me para trás mas a vontade avança e a água passa apressada gritando-me desatinada, tentando empurrar-me para trás e a onda enfurecida esmaga-se perdida em cima de mim. Braçadas levam-me vogando na prancha no p'ra lá e ufano ultrajo esse mar desafiando-o agora a me tragar. A resposta vem rápida na onda que nasce, viro as costas à desgraçada e os braços movem-se com firmeza lançando-me. Erguido sinto o vento incentivar-me, meus pés deslizam juntos com a prancha e na crista da onda lá vou ziguezagueando na bolina e abrigado me recolho no túnel que me garrotilha...é a loucura, é adrenalina no corpo meio encolhido. O súbito trás-me a luz que recorta a minha silhueta no contra luz, garboso e deslizando na pouca velocidade afundo-me na água vencida que num turbilhão me deposita de novo na tenra areia molhada como herói de fantasia...