terça-feira, 10 de julho de 2012


A coberto da noite dois corações batiam numa conversa sem palavras. Tinham esperado pela lua para iniciarem o ritual da união mas esta não aparecera e em sua vez vieram as nuvens fofas que surfavam na aragem repleta de maresia. Cada uma diferente com rostos deslavados, cinzentos ou desfigurados no negrume. De vez enquando os pontinhos brilhantes traziam pontas de luz e as mentes brincaram com elas tentando descobrir qual seria a sua estrela, aquela que lhes traria a sorte, o rumo, a felicidade.
O bater sobressaltou-se quando os olhares se colaram e o desejo espreitou por cima da paixão que os invadia.
Na areia morna e seca os corpos uniram-se beijando-se e os corações bateram mais apressados. Algo surgira das profundezas do abismo da emoção, como cavalo louco desenfreado e trazia á ponta da língua desvairada as palavras ternas como borboletas voando ao calha, talvez em demasia. As mãos moveram-se primeiro na timidez, depois no sentir da pele, logo saltando para a descoberta e os pontos lascivicos. Os corações apertaram-se no abraço seguido como elo inquebrável. Os corpos moveram-se com as estrelas e na sua rotação lançavam no ar os gemidos corrosivos da união e os corações foram um e voaram para lá da fantasia onde tudo é mudança, uma brisa que cresce e se revolve como tempestade e na bonança sorriram batendo descompassadamente mitigada que fora a fome de quem ama.


Jorge d'alte