sábado, 21 de agosto de 2010

ERA





Era Agosto e a lua cheia provocava lá no alto, rechonchuda, altaneira e bela, vestida com trajes de luar, que se derramava em cascatas de alvas pérolas, sobre aqueles que se amavam.
Dois seres sorriam!
Tinham os seus motivos para se alegrarem, pois os corações, quais cavalos à solta venciam a distância, empurrando os lábios sedentos de luxúria, num encontro de sentidos: sedução, emoção e desejo.
E assim, enquanto a lua passava e se escondia, o doce abraço aconteceu, as bocas se uniram abertas em línguas que se tocaram enrodilhadas, e o frémito percorreu célere os corpos trémulos e excitados, e as mãos inquietas percorreram pontos igneos, fontes de fogo, lendo como Braille palavras que estavam lá, e o mundo esvaziou no crescer do orgasmo que aos poucos langorosamente se esvaneceu.
As mãos dadas juraram esse amor que seria eterno.
Os lábios húmidos selaram essas promessas que fizeram, e os dias foram-se sucedendo às noites, as noites iluminaram-se na união, e esta trouxe a felicidade.
Pelo caminho ficou a juventude, no meio de fraldas e chupetas, e o outono cresce agora em dias cada vez mais curtos, onde a lua esmorece ultrapassada pelas nuvens do passado, levando o seu luar brilhante para as memórias, deixando ficar lado a lado na cama dois seres que se amam.
Tu e Eu!

jorge d'alte