terça-feira, 21 de setembro de 2010

AMOR DE VERÃO


As águas ondulavam, varridas pela brisa do norte.
Não traziam novas desses lados, onde as noites se tornam cada vez mais gélidas e enevoadas.
Sentado na crua e polida pedra, o espírito meditava em saudosas lembranças, que fizeram deste verão árido e calcinado, o compasso de espera para as tempestades, que vêm anunciadas.
O verão, soalheiro das noites belas de luas novas e cheias, movera corações na mais bela das cruzadas, onde as estrelas acompanhavam flirtando as melodias harpias, dos amantes e do amor.
Os rostos, encheram-se de sorrisos, os corpos magros tornaram-se dourados, fazendo sobressair olhos que nos perfuram, entram na alma com magia e depois transformam toda a nossa vida.
E assim aconteceu, a paixão do amor surgiu na penumbra e depressa se tornou sol, fonte de vida e as águas passantes olhavam sussurrando, seguindo o seu curso predestinado e nada disseram, nada cantaram e os silêncios quebrados, por ternuras murmuradas, por gemidos e gargalhadas, transformou-se numa sinfonia nova nos nossos ouvidos, na mais bela das melodias nos nossos sentidos, na mais desejada das canções, com letras sem rima, nos nossos corações.
Sentado, o espírito sente o primeiro arrepio!
A brisa, é agora vento no advento do outono e sopra gélido. A chama estremece vacilante.
Será que o amor se ressente?
O espírito segura, essa mão adorada com as pontas do coração, lança no ar a esperança de que não a vai largar.
As bátegas caìdas e sopradas são lágrimas salgadas, são choro mudo, trespassante, rugindo no vazio.
A mão, lentamente deslizando fora largada e o tempo levou-a na intempérie transformando-a na saudade.
Fora paixão, amor ardente de verão, e como este, não durou para sempre.

Jorge d'alte