quinta-feira, 9 de setembro de 2010

O CAFÉ


O café fervilhava de vida!
Os sons de louça chocalhando, juntavam-se às batidas de copos em brindes de "hurra" e no gorgolejar apressado dos shots. Para além, as conversas burburinhavam num som harmónico, apenas quebrado por alguma gargalhada perdida.
Sentada numa mesa, no meio da rapaziada, ela era borboleta vistosa em mil cores desfraldadas. Esvoaçava de rosto em rosto, empunhando o seu sorriso.
Seu rosto gaiato era lindo, nuns olhos profundos e escuros, que nos olhavam vendo e nos sorriam sentindo.
Tudo era mágico na sua postura e nas gargalhadas cristalinas que soltava, que nos arrepiavam em ondas de sedução.
Ela era vida que enchia o meu olhar!
De longe sorria-me, perto abraçou-me e no olá que me dirigiu acordou-me e rejuvenesceu-me, porque trazia por detrás daquele sorriso, promessas mil.
Aquele sorriso inflamante de quem um dia fugira, que um dia rejeitara e que agora sem querer era meu.
Nada fiz para o merecer, não o queria para mim, mas lutando mostrou-me, quanta força existe na vontade de acreditar até ao fim, de lutar pelos sonhos, mesmo que a vida se torne ingrata e nos calque.
Foi isso que um dia fiz com ela!
Calquei-a sem querer!
Rejeitei-a com ternura, amei-a em grande amizade e agora na esplanada espero sem tempo, pelo seu sorriso, pelos seus passos surdos que gingando o corpo se aproximam.


jorge d'alte