sábado, 4 de setembro de 2010

OLÁ VELHA NAMORADA


Era o dia...do mês... do ano que interessa tudo isto?
O que realmente interessa é que vieste até mim de novo, através do tempo que corrói, do tempo que é distância, que foi depois separação.
Não tenho presente se foi o sono, se foi o sonho, se foi a fantasia, se foi a saudade enorme, que te trouxe até mim.
Não sei!
Mas também que interessa isso?
Pegaste na minha mão que suavemente beijaste.Cantaste a nossa canção, afagaste este rosto cansado, preparaste-me o coração.
Tiraste-me do sono, entraste no sonho, foste fantasia que matou a saudade.
Nem queria crer que estivesses ali, sentada a meu lado sorrindo, sorrindo de novo para mim.
Vieste-me contar aqueles segundos dos minutos, que foram horas de angustia para mim, que foi momento em que expirando partiste, deste mundo danado.
" Olha Jonel meu amor lindo, a ruim malvada, a doença que me levou, chegara sem dizer nada. Instalara-se sem que a sentisse e descansada espetou a facada quando quis, a facada que me havia de levar.
Naquele branco que me acolheu, com tubos enfiados e agulhas cravadas, eu só pensava em nós, no que iria ser de ti, como seria a tua vida...
Aí!
As dores caminhavam cada vez mais apressadas e eu lutava, juro-te que lutava em cada lágrima que partia mas por fim já nada sentia nesse corpo que me abandonava.
Sentia sim a tua revolta lá longe onde estavas, sentia a tua dor e beijei os teus olhos, bebi as tuas lágrimas. Senti que me chamavas e beijei os teus lábios sorvendo essa dor que em ti alastrava como peste demoníaca. Senti que me abraçavas e então chorei, então gritei por ti, então murmurei o teu nome nas forças que rareando desfaleciam sentindo cada partícula do meu corpo a partir
De repente a vida, a nossa vida desde crianças, a nossa vida em amor,desfilou célere na minha cabeça, como filme que se bobina, guardando para sempre as nossas recordações, as imagens de uma vida, os sonhos que se esfumaram no repente, o teu perfume, o teu toque, as tuas palavras lindas, a cor do teu amor, enquanto a respiração acelerada e entrecortada, tentava a todo o custo manter este corpo na vida, mas a luz já cá estava,embrulhava-me na sua brancura e no momento seguinte eu passara e já era espírito sem corpo no ultimo som que gritara "Jonel!"
Agora deambulo pelo limbo, entre a vida tirada e o descanso dos céus. Não sou fantasma, não sou nada,nem estrela do céu, apenas espero por ti, para de novo sermos o que sempre fomos, letras sentidas e enlaçadas,da maior palavra do universo "AMOR"."
Olá velha namorada!...
Voltei-me na cama sorrindo, pondo a mão sobre ti ali deitada, o sono veio, o sonho agarrou-me, a fantasia essa era ouro, a saudade dera lugar à infinita alegria do momento.
Olá! velha namorada...

Jorge d'alte (jonel)