sexta-feira, 8 de outubro de 2010

O PEDIDO


Olho para ti e o meu coração pula.
A proximidade é curta e os lábios quase se tocam, mas a minha boca quer falar, e o tempo faz fremitá-los ainda mais, numa onda que é difícil de sustentar.
É tempo de lhe dizer e as minhas pernas tremem e a minha mente duvida num "se" e a coragem retrocede, mas logo aparece quando com um sorriso ela me pergunta
"Que se passa?"
"Que me queres contar?"
Agora gaguejo.
Porra, fui apanhado na armadilha que fiz a mim mesmo e já não tenho escolha nem por onde escapar.
Por isso suo frio, agarrando-lhe tremulamente as mãos.
Como lhe dizer aquilo que nunca tinha dito? Que palavras dizer, se não continham tudo o que sentia cá dentro?
Ela olhava-me na interrogação, com o sorriso a desvanecer-se e a tornar-se em aflição.
Porque não me beijas?
Já não me queres?
Não, não é isso! soletro cada letra como um menino tonto e de repente... tudo saiu numa enxurrada.
Eu AMO-TE muito, quero que sejas o farol da minha vida, que sonhemos juntos uma vida, a nossa... e quero que namores comigo(já está, disse para comigo, e continuei)
Não consigo deixar de pensar em ti, de sonhar contigo. Quero que sejas minha, quero que me ames também...e calei-me olhando-a, se calhar pela última vez.
Ela ficou a olhar longamente para mim, séria!
Estou morto pensei, o meu coração parou, que eternidade!
Os olhos dela adoçaram-se no pouco a pouco e o sorriso nasceu do seu crepúsculo. Agora escutei o primeiro baque do meu coração e as pernas fraquejando vergaram-se com o peso da emoção quando ela agarrando o meu rosto parvo, me disse:
Anda cá meu tonto!
Eu também te AMO!
Por isso beija-me meu amor, por isso serei tua, por isso te amarei até ao fim dos meus dias e serei a tua lua.
O coração já não batia, agora corria no frémito que subia, e os lábios abertos contavam outra história, a história do meu primeiro dia.
A partir daqui deixara de ser o rapazinho que apenas sonhava.
Agora tinha o sonho nas mãos agarradas e não o ia deixar fugir...

jorge d'alte