sexta-feira, 15 de outubro de 2010

SEMPRE TE AMAREI!


As ruas velhas que eu percorro na noite que cai solitária, cada uma mais estreita, estrangulando os meus passos que me levam a lugares esconsos onde a lua que é luar já não reina, nem é som, e as sombras estendem suas garras, me agarram ferindo as minhas entranhas loucamente dilaceradas, afastando-me do caminho que tracei, levando-me as pessoas que na vida encontrei, que amei, que foram vida, e de entre todas foste aquela que jamais esquecerei, porque foste minha!
Agora estás perdida e por isso te procuro, seja no dia que nasce cedo por detrás daqueles montes,quebrando a madrugada, seja na noite de verdugo que me traga como vulto fugidio no nevoeiro correndo atrás do eco que tu deixáste.
O vento fustiga levando tudo à sua frente, tira-me a pele em tiras, como chicote estalante traçando sulcos tão fundos, tão fundos que a dor já não sente nada, arranca-me o coração em saudades lancinantes onde se ilude em lágrimas derramadas, gritando em vão teu nome que se funde com o som troante da trovoada.
Um raio de luz assombra o meu rosto, desenhando no ar de cordite a vida do teu olhar.
Ah!
Estás aqui!
Finalmente te encontro, na etérea luz do relâmpago.
Foi o segundo mais lindo da minha vida desde o dia em que me deixaste levando-me tudo o que eu tinha e deixando-me nu e exposto, perdido na calçada.
De novo solto os meus passos, deixando-os nus de sentires, caminhando por caminhar sempre na vã procura do lugar onde tu estás.
Sento-me na sarjeta cansado, uma pinga solitária beija-me a cara trazendo à minha alma o teu perfume excitante.
Afinal tinhas razão quando um dia me disseste, JOnel "estarei sempre onde estiveres e aí te amarei".
Agora moro nas imensas ruelas, vivo na minha sombra contigo de mão dada.


jorge d'alte