Caía, caía a morrinha
na primordial manhãzinha
o céu lavado de estrelas
nuvens e nuvens belas
boiando branquinhas e cinzentas
cinzentos são os caminhos que enfrentas
não tinham esquinas nem horizontes
olhos olhavam com águas de mil fontes
era o choro gritante que alivia
sentimentos num processo de alquimia.
Caía, caía a morrinha
esbatendo as vontades na tardinha
o céu cheio de luz pleno de alguém
arco íris enfeitando um sorriso, mas porém
havia escondido no peito a tristeza
não falemos de algo como pureza
falemos dos monstros que vivem na mente
medos escuros que salivam acremente
queimando-nos neurónios no descalabro
desafiando a resiliência num sonho macabro.
Caía, caía a morrinha
Molhando ossos na imberbe noitinha
prostrados na lama de joelhos rezando
pedindo ao Senhor que nos está sufragando
que guie nas sombras a nossa alma perdida
prenhe de desatinos só porque a morrinha caía, sofrida.
Jorge d'Alte
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