quinta-feira, 16 de julho de 2026

 


Não sei por onde andei, que caminhos trilhei, que passos suaram na incerteza, só sei que o horizonte corre sempre à nossa frente deixando a sombra incoerente e mordaz calcorreando os passos que não dás querendo ser aquilo que não é, a luz que nos guia até ao poente a luz que esmorece no anoitecer, e aí sim ela seduz mimando-nos com cartelas formulas religiosas que dançam no tempo trazendo as estrelas e a bela lua; dizem que elas dançam aí que são amores que a alma cria ... doidas e voláteis se esfumam e confundem, criaturas que vagueiam num mar de ilusões; porque sorriem as criaturas? Essa é boa! Dizem que a paixão voa por aí como coruja que espreita, depois é só pios, murmúrios corrosivos que encantam ouvidos, e lá estamos nós mergulhando na depressiva tristeza, pois as cantigas são tantas e o coração as rejeita. Uns vão sonhar escondendo a cabeça na travesseira, mas há sempre uma mão lampeira que nos trás o fogo, mas os lábios sempre eles ateiam suores de corpos que se querem dar e aí entra a alvorada, sempre alegre jogando-nos orvalho dando-nos uma flor que murcha na claridade, e quando nos trás o vento e a chuva, e frio que nos traça; frios são os meus passos ao fim destes anos todos de caminhos e encruzilhadas deixando-me sentado na beira da estrada agarrado ás memórias.

Jorge d'Alte

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