segunda-feira, 7 de junho de 2010

Guerra


As balas assobiavam no ar e o estampido rompia os meus ouvidos. De vez enquanto um troar mais forte precedia o longo assobio e a bomba caia com um deflagrar tremendo tirando-nos o ar dos pulmões. As pernas corriam em Zigs-zags constantes tentando desviar-se do caminho do ferro bicudo que nos podia matar. No ar o cheiro a cordite era medonho e dos olhos escorriam lágrimas de tanto fumo tirando-nos a visão do medo e instigando-nos a andar para acabar mais depressa com o inimigo.
De repente rastejava no chão cru de terra e pedras tentando respirar e acalmar o coração. Os gritos dos feridos arrepelava-me a nuca e o suor misturava-se com o pó e o medo. Dos meus dedos saia o cantar constante da metralha e a alma sangrava por aqueles que poderia matar. De repente no chão um arfar chamou a minha atenção.Um corpo estendido estremecia espamódicamente com sangue a borbulhar de uma ferida que lhe enchia o peito já sem ar. Por cima de todo este estrondoso matraquear ouvi o ultimo estertor da vida que daquela alma se escapava.
Porquê meu Deus!
Que fizeste a estes jovens?
Porque tem a vida de ser assim?
E ali fiquei a olhar sem brilho nos olhos nem lágrimas para chorar.

jonel 7.06.10