sexta-feira, 18 de junho de 2010

A voz


A voz batia à porta do meu sono, tentando entrar nos sonhos sem sentido que me assolavam.
Irritada a minha mente fremia com tamanha ousadia. Quem se julgava essa vozinha mimada, para entrar assim sem ser anunciada.
Arre que é chata!
A doçura entretanto deslizara tentando insinuar-se sensualmente em murmúrios tocados e a mente deixava-se pouco a pouco enredar-se nessa malha que tudo prende, onde fugir já não é opção onde a vontade já não é nossa onde a ternura faz estragos como um furacão.
Nos meus sonhos a voz tornou-se bela num corpo de mulher que agora me apertava num abraçar tirando-me os últimos laivos de rebeldia e fazendo-me definitivamente seu.
Pouco a pouco a emoção traçou no sonho seu rosto com o desvelo de um cultor.Fez-lo sorrir no seu alvor como madrugada húmida que me beijou deixando que as gotas do desejo escorrecem na lentidão, prolongando o momento até este arder numa suave combustão que irradiava serena e persistente alcançando aos poucos todo o meu ser.
A vozinha lá continuou dizendo palavras sem frases mas que elevavam esse fogo até ao olhar. A mágica tornou-se agora em corpo volupto que se enrolava no meu como trepadeira ousada erguendo-me até aos céus.
Aí o sonho transformava-se, era rio que me levava pelos escolhos dos sentidos, por entre quedas, ravinas até ao lago imenso e sentido onde a voz se transformava numa só palavra "amor"
A voz era mel atraindo os meus sentidos invadira os meus sonhos e agora que os olhos se abriram era saudade despida jazendo deitada ao meu lado.


jonel 18.06.10