domingo, 27 de junho de 2010

Último acampamento

O toque suave chegou.
O rouxinol que na árvore cantava levantou vôo deixando no ar uma última nota de protesto. Mas que interesava isso se o meu corpo agora coberto pelo calor do seu me mantinha desperto e concentrado nas palavras que ouvia.
Promessas de um amo-te, um gosto de ti, vamos ser felizes um dia e ter os nossos botõezinhos a darem-nos cabo da cabeça.
O seu rosto resplandecia de intensa felicidade, dando à madrugada caída uma luz surreal fazendo o meu coração ansiar perante tamanha beleza numa atmosfera inédita e diferente onde o papel principal era ela.
O seu dedo contornou o meu rosto deslizando com extrema suavidade até aos meus lábios num prazer desejoso e o beijo aconteceu num mudo querer aguardado enquanto os olhos fechados viam um sonho emocionado onde éramos apenas um e aí eu senti que as nossas asas batiam ao ritmo de um coração e juntos voámos na emoção, no desejo, na esperança na fé no belo que grassava dentro e se eternizava num langor sem fim.
As mão agora dadas percorriam o campo aberto e verde onde acampáramos e dirigiam-se para a pequena lagoa cavada na pedra dura.
Sentados com os pés na água desfiávamos na conversa coisas passadas e presentes com o olhar num horizonte onde residia a nossa felicidade...
Foi o nosso último acampamento.
Depois tudo se perdeu tudo deixou de fazer sentido, mas a felicidade essa não morreu, pois trago-a sempre comigo e no dia em que nos abraçarmos de novo e o rouxinol deixar a sua última nota de protesto recomeçaremos numa nova madrugada uma nova história para a nossa vida


jorge d'alte 27.06.10