sexta-feira, 4 de junho de 2010

A Lagoa perdida


Lá para as bandas mais a norte existe um local a que chamávamos "lagoa de pedra".
O passado encontrou-me aí deitado nas quentes pedras e mergulhado nas doces águas calmas. Foi um sítio de sonho, onde vivi alguns dos momentos mais fantásticos da minha vida. Ainda escuto o gritar da água caíndo das alturas enchendo com a sua graça a pequena lagoa presa entre pedras sem tempo.Como tempestade as águas despenhavam-se raivosas, mas num ápice acalmavam conformadas e criavam a frescura onde a lascívia nos incutia ondas de luxúria na sensualidade dos corpos vestidos ou nus. Assim amar foi Adão e Eva, foi verbo conjugado em todos os seus tempos, umas vezes sob sol abrasador, outras na companhia da velha lua que não sei porquê acompanha todos estes momentos únicos. Mas também foi local de convívio, onde a nossa juventude dava aso à sua imaginação, muitas vezes misturadas com laivos de inconsciência sobretudo quando nos lançavamos no abismo para mergulhar nas águas. Aí compreendemos a amizade reforçando com fortes correntes de ternura, um sentir que ficou para a vida inteira.As músicas entoadas e tocadas na viola,as caminhadas na natureza, as partidas pregadas, as ideias bailando-nos na mente, a política presente, a angustia dos exames, a alegria de sabermos que mais metas tinham sido alcançadas, os abraços para toda a vida, as promessas sussurradas, a ajuda dada sem ser pedida. Sim foram tempos de glória em espadas brandidas em nome de uma mudança, onde todos tivéssemos a possibilidade de um novo futuro de liberdade, de escolhas e pensares. Hoje lembrei-me deste sítio, e por mais que pareça magia este lugar esfumou-se nas memórias e dele só tenho a recordação. A vida conjurou na separação das partes e cada um seguiu por caminhos diferentes com cruzamentos esporádicos e profundos de tempos a tempos onde procuramos reviver tudo aquilo que eramos e o que hoje somos. Assim na bruma do tempo este local paradisíaco se perdeu. Por mais que hoje procure todos os trilhos me afastam dele e nunca mais lá fui.
E a magia está aí como lição de vida, nunca devemos esquecer ou afastar as pessoas ou as coisas e locais que amamos sob a pena de nunca mais voltarem e assim passarem à história como mera doce recordação.

jonel 4.06.10 (Foto quando tinha 22anos)